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sexta-feira, 15 de julho de 2011

EM LOUVOR DE NOSSA SENHORA DO CARMO




Na Virgem Maria, a cheia de Graça
Na mais perfeita dentre as criaturas
Mora a indossolúvel Divindade.
( Deus Uno, a Santíssima Trindade)

Como sol por Ele enamorada,
Partilhando os segredos das alturas,
Deixa que a Vontade se FAÇA
Pelo mistério da Encarnação,
Desde que não perca a Virgindade!

Na longitude do seu terno OLHAR
Que tão carinhosamente me enlaça...
Só silêncio consigo desfrutar!

Nos secretos oceanos de Luz,
A simbiose do Ter do seu Coração
É sopro deificado do Amor!

Maria, a inaudita Flor,
É a perla excelsa em brancura!

Avé Maria! Avé Mãe pura!
Glória do Pai, por Jesus!





És perpetuar em Adoração,
És eco doar Reparador,
És seara donde a Espiga saiu
Para se tornar Alimento!

Ó Virgem Bíblica! Vaso Sagrado!
Nosso amparo e portento ,




Deus em Ti é adorado
NA SUA E TUA HUMILDADE
Pela humanidade em conversão!




de Maria do Rosário

sábado, 11 de junho de 2011

FOGO DE PENTECOSTES



FOGO DE PENTECOSTES




Quem és tu, Luz que me inundas
E clareias o meu coração?
Tu me guias,
Qual mão carinhosa de mãe,
Se de Ti me desprendo,
Não saberia caminhar
Nem mais um passo.
Tu és o espaço,
Que cerca meu ser
E em si me acolhe.
Saindo de Ti,
Mergulho no abismo do nada,
De onde tu me tiraste.
Tu estás mais próximo a mim
Do que eu a mim mesmo,
E mais íntimo
Do que meu interior –
No entanto, continuas intocável
E incompreensível,
Arrebatando o que existe:
Santo Espírito – Eterno Amor.

Não és tu o maná,
Que passa do coração do Filho
Ao meu,
Comida dos anjos e dos santos?
Ele, que da morte
Para a vida se levantou,
Também a mim ressuscitou para a vida.

Arrancou-me do sono da morte,
E nova vida Ele me dá
De dia para dia.
Um dia sua plenitude
Inundar-me-á totalmente,
Vida de tua vida –
Sim, tu mesmo:
Santo Espírito – Eterna Vida.

És tu o raio
Que estala
Do trono do Juiz
E irrompe na noite da alma,
Que nunca se reconhece e si mesma.
Misericordioso – inexorável,
Penetra-lhe os abismos sombrios,
E ela, assustada com a visão de si mesma,
Cede-lhe confiante o lugar –
Santo temor,
Início daquela sabedoria,
Que vem das alturas
E nas alturas nos ancora fortemente - ,
Tua realidade nos cria de novo:
Santo espírito – Raio Penetrante.

És tu a canção do amor
E santo temor,
Que ecoa eternamente
Ao redor do trono de Deus,
Que une em si
O puro som de todas as criaturas?
A sintonia
Que une os membros com a cabeça,
Nela cada um
Encontra feliz
O sentido misterioso de seu ser
E flutua em júbilo,
Em tuas torrentes:
Santo Espírito - Eterno Júbilo.

És tu a plenitude,
A força do Espírito,
Pela qual o Cordeiro rompe os selos
do livro da vida
Por um eterno decreto de Deus.
Impelidos por Ti,
Os mensageiros do juízo
Galopam pelo mundo
E separam com espada afiada
O Reino do meio das trevas.
Então, tornar-se-ão novos
O céu e a terra,
E tudo aparecerá no devido lugar
Pelo teu sopro:
Santo Espírito – Força Vencedora.

(Pentecostes de 1942, últimos meses da vida de Edith Stein)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

POESIA SOBRE A ENCARNAÇÃO DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Poesia sobre a Encarnação do Verbo - S. João da Cruz

Postado por Fábio Graa in Espiritualidade, S. João da Cruz, Santos, Virgem Maria
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Já que o tempo era chegado em que fazer-se devia
o resgate da esposa que em duro jugo servia,
debaixo daquela lei que Moisés dado lhe havia,
o Pai com amor terno desta menria dizia:
- Já vês, Filho, que tua esposa à tua imagem feito havia,
e no que a ti se parece contigo coincidia;
mas é diferente na carne, que em teu simples ser não havia
pois nos amores perfeitos esta lei se requeria,
que se torne semelhante o amante a quem queria
porque a maior semelhança mais deleite caberia;
o qual, por certo, em tua esposa grandemente cresceria
se te visse semelhante na carne que possuía.


Minha vontade é a tua - o Filho lhe respondia -
e a glória que eu tenho é tua vontade ser minha;
e a mim me agrada, Pai, o que tua Alteza dizia,
porque por esta maneira tua bondade se veria;
ver-se-á teu gran poder, justiça e sabedoria;
irei a dizê-lo ao mundo e notícia lhe daria
de tua beleza e doçura, de tua soberania.


Irei buscar minha esposa e sobre mim tomaria
suas fadigas e dores em que tanto padecia;
e para que tenha vida, eu por ela morreria,
e tirando-a das profundas, a ti a devolveria.


Então chamou-se um arcanjo que S. Gabriel se dizia,
enviou-o a uma donzela que se chamava Maria,
de cujo consentimento o mistério dependia;
na qual a santa Trindade de carne ao Verbo vestia;
e embora dos três a obra somente num se fazia;
ficou o Verbo encarnado nas entranhas de Maria.
E o que então só tinha Pai, já Mãe também teria,
embora não como outra que de varão concebia,
porque das entranhas dela sua carne recebia;
pelo qual Filho de Deus e do Homem se dizia.


Quando foi chegado o tempo em que de nascer havia,
assim como o desposado, do seu tálamo saía
abraçado a sua esposa, que em seus braços a trazia;
ao qual a bendita Mãe em um presépio poria
entre pobres animais que então por ali havia.
Os homens davam cantares, os anjos a melodia,
festejando o desposório que entre aqueles dois havia.
Deus, porém, no presépio ali chorava e gemia;
eram jóias que a esposa ao desposório trazia;
e a Mãe se assombrava da troca que ali se via:
o pranto do homem em Deus, e no homem a alegria;
coisas que num e no outro tão diferente ser soía.



S. João da Cruz, Romantes Trinitários e Cristológicos, Toledo, Cárcere - 1578.

POEMA DO ALEGRE DESESPERO- ANTÓNIO GEDEÃO



Poema do alegre desespero

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó. Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

Compreende-se.

quarta-feira, 23 de março de 2011

JESUS


JESUS


A Cruz de Cristo santifica

Olhando para uma imagem,
Vi duas linhas quase iguais,
Uma vertical, outra horizontal.
Galhos cruzados em unidade,
Uma figura especial.

Verticalmente como que
Se alguém me visse,
Querendo falar alguma palavra.
Já horizontalmente como que
Quisesse abraçar-me,
Certamente perdoar-me.
Quanta humildade e bondade!

Sempre mais aproximando-se
Ouvi uma voz que dizia:
Se você quer me seguir,
Terei um grande prazer;
Abrace a cruz com amor e carregue,
Os dois formatos do viver.

Lágrimas escorreram-me na face
Com fato tão comovente.
Aquela estátua recordou-me Jesus
Que bastante sofreu inocente.
Creio que Ele é o cajinho
Que nos leva para o Pai
Em comunhão com o Espírito Santo.
É porta, luz, verdade, vida e paz.

Continuei com os olhos fixos,
Fiquei minutos contrito, observando,
Sem nenhuma idolatria.
Confiante posso afirmar
Que no lenho da misericórdia
Tem um valioso nome.
Felizes os que procedem
Como amigos do glorioso
Madeiro de Jesus Cristo.
São chuvas de bênçãos tudo isso.

Percebi naquela escultura
O Messias desfigurado,
Convidando à conversão.
Ele nos quer ao seu lado
Para na graça vivermos,
Agora e no eterno chamado.

Cheguei à convicção de que
Não há perdão sem cruz.
Ela é um ideal modo
De se chegar ao Mestre Jesus.
Oh, que madeira de árvore nobre!
Nela o pecado absolve-se.

O lenho foi um instrumento
De suplício, dor e morte.
Mas com o sangue e água
Que o bom Jesus derramou,
O mesmo se santificou.
E em vida se tornou.
Da santa cruz veio a remissão
Para os que crêem na redenção.

O crucifixo nos lembra Cristo
Que para apagar nossos pecados
Carregou enorme peso
Em direção ao Calvário.
Repleto só de ternura
Seu coração é formado.

É baluarte, é vitória,
Da sagrada cruz ter ressurgido a luz.
Por isso dela me aproximo,
Venerando-a com fervoroso estímulo.
É um sublime e benéfico símbolo.
Acredito que foi num madeiro
Que doou-nos a vida Javé,
Entregando-nos o Seu predileto Filho.

Jesus, com divino, não morreu,
Pois é Deus de eternidade.
Expirou apenas a sua natureza humana,
Mas ressuscitou, está claro;
Trazendo para nós a certeza
De que seremos ressuscitados.
A Sagrada Escritura e a fé
Nos revelam evidentes verdades.

Os dois traços são alianças,
Nos dois riscos há penhor.
Jamais poderia ser indiferente
A preciosa cruz, marca de plenitude,
Honradez, glória e amor;
Onde Cristo Jesus
Concedeu-nos os sacramentos
Como salvíficos alimentos.
Esperançosos e assíduos nas orações,
Não nos faltarão talentos.

No altar da eucaristia,
A mesa amável da partilha
Ele continua presente, doando-se
Com sua solidária abnegação,
De maneira incruenta.
Exemplo que para nós deixou.
Há alguém que mais amou?



de Jurandir de Barros e Silva

terça-feira, 22 de março de 2011

É PRECISO PLANTAR




É PRECISO PLANTAR



É preciso plantar

mamã

é preciso plantar



é preciso plantar

nas estrelas

e sobre o mar



nos teus pés nus e pelos caminhos



é preciso plantar



nas esperanças proibidas

e sobre as nossas mãos abertas



na noite presente

e no futuro a criar



por toda a parte

mamã



é preciso plantar



a razão

dos corpos destruídos

e da terra ensanguentada

da voz que agoniza

e do coro de braços que se erguem



por toda a parte

por toda a parte

por toda a parte mamã



por toda a parte

é preciso plantar

a certeza

do amanhã feliz

nas caricias do teu coração

onde os olhos de cada menino

renovam a esperança



sim mamã

é preciso

é preciso plantar



pelos caminhos da liberdade



a nova árvore

da Independência Nacional

De Marcelino dos Santos

quinta-feira, 17 de março de 2011

ORAÇÃO DO POBRE


Oração do pobre

O meu coração é pobre,
Sinto que sou barro;
sou como a argila abandonada
que espera as mãos do artista.
Põe as tuas mãos, Senhor,
Teu coração, na minha miséria,
e enche a minha vida
com a tua misericórdia.

Protege a minha vida.
Confio em ti.
Gostava de dizer-te o que és
para mim:
tu és o meu Deus, tu és o meu pai,
tu queres-me.
Eu chamo-te todos os dias.

Dá a alegria a quem
quer ser teu amigo.
Protege a minha vida. Confio em ti.
Eu sei que tu és bom
e me perdoas.
Sei que és misericordioso com quem abre o coração
ao teu amor e lealdade.

Escuta-me. Atende-me. Chamo-te.
Venho estar contigo
e quero ficar junto de ti.

Protege a minha vida. Confio em ti.
Tu és grande. Tu fazes maravilhas.
Tu, o único Deus.Ensina-me, Senhor, o teu caminho
e que te siga com os meus passos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A CRUZ- POEMA DE SANTA TERESA DE ÁVILA


A Cruz

Ó bandeira que amparaste o fraco e o fizeste forte!
Ó vida da nossa morte,quão bem a ressuscitaste!

O Leão de Judá domaste,pois por ti perdeu a vida.

Sê bem-vinda, cruz querida.



Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;

quem te abraça sem receio não toma caminho errado.

Oh! ditoso o teu reinado,onde o mal não tem cabida!

Sê bem-vinda, cruz querida.



Do cativeiro do inferno,ó cruz, foste a liberdade;

aos males da humanidade

deste o remédio mais terno.



Deu-nos, por ti, Deus Eterno

alegria sem medida.

Sê bem-vinda, cruz querida.



(Santa Teresa de Ávila

terça-feira, 1 de março de 2011

CONFIANDO NO SENHOR!

CONFIANDO NO SENHOR

Venham as rajadas ventosas
do norte gelado, sem sol!
Venham as lufadas queimosas
equatoriais, em "mi" bemol.
Venham as folhagens teimosas
roídas em vôo arrebol.
Venham sementes epocais
professando a paz claustral.
Venham sons, de gritos cardeais,
em angélicas poesias.
Venham chuvosas elegias
de pérolas baças e frias.
Venham acidentes naturais
crispando o ego humanal.
Venha a mente, em tom cordial ,

beijando o prever divinal...
que preza meu ser eternal ,
nas tempestades,com Seu mural.

Maria do rosário Guerra

domingo, 30 de janeiro de 2011

VALE A PENA VIVER!

Tags linda
more Vale a pena VIVER!! - Presentation Transcript
1.C riart´s Net Edição e Produção Euclimaecil [email_address] Apresenta
2.VIDA Texto de Charles Chaplin
3.
“ Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e
esquecer pessoas inesquecíveis”.
4.
Já fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas
quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.
5.
Já abracei pra proteger,
6.
Já dei risada quando não podia,
7.
Já fiz amigos eternos,
8.já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado,
9.Já fui amado e não soube amar.
10.
Já gritei e pulei
de tanta felicidade,
já vivi de amor
e fiz juras eternas,
mas "quebrei a cara"
muitas vezes!
11.
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
12.
Já liguei só pra escutar uma voz,
Já me apaixonei por um sorriso,
13.Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e...
14....tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas sobrevivi!
15.
E ainda vivo!
Não passo pela vida...
e você também não deveria passar. Viva!!!
16.
Bom mesmo é ir a luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e
A VIDA É MUITO
para ser insignificante"
Chaplin

domingo, 19 de dezembro de 2010

UM MENINO VAI NASCER








UM MENINO VAI NASCER

E o Menino Jesus sorrindo
no Ventre de sua Mãe...
em silêncio, pressentindo
o tempo do aquem...
já o gelado frio carrega!

Das entranhas maternais
já do quente se despega!

Ao nato bafo de animais
já, Humilde, se apega
numa Pobreza real!

De ósculos infindos
bendiz o seio divinal
donde a Trindade ao sair
dará ao mundo pecador
a Salvação fraternal
para a todos repartir
dum modo total!

A Mãe, "Fiat" em compulsão,
guarda tudo em seu coração...,
ajusta as palhas doiradas,
com estrelas luzentes
dentre raios amoradas
naquele Amor singular!

Da camisa de José
que despe sem hesitar,
umas faixas rasgadas
farão os cobertores
para cobrir o Bebé!


O Rei dos reis vai nascer!
Anjos, em cantos fluentes
preparam a aclamação,
por montes e vales,
com hinos fontanais
da Hora, a todas as gentes!

Nada mais há que fazer!
Emanuel Forasteiro
é Testemunho primeiro
da Estrada a percorrer!






de Maria do Rosário Guerra



Seia-Natal de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

HÁ SEMPRE UM ADVENTO



HÁ SEMPRE UM ADVENTO

Cai neve pelo mundo,
esfria-se o calor,
amaina-se a dor
da terra queimada,
de negro frustada
no clamor profundo
que o desamor causou.

A brancura abundante
condoeu-se dos pecados,
quando o bafo crepitante
que um verão aceitou
e destruiu o verdejante
de montes e valados!


O negro, então lavado,
qual estrume a gorgitar
na terra, ora a dormir,
já branco, volta a sorrir
quando o quente TORNAR
ao verde esperado!

Num terno olhar de Deus
a natureza mensageira
testemunha conversão,
numa certa esperança,
dum vazio em construção.
Sem outra pretensão
só o feio quer mudar...
e, num advento, reparar
a pureza dum coração!

QUEM ESPERA, TUDO ALCANÇA!
Maria do Rosário guerra

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SENHORA, QUE À TERRA DESCESTE!





Senhora de branco vestida
e descida à Serra d'Aire
que viste Tu, de desaire,
em tanta pedra ali nascida?

Agrestes... Bravias... Escaldantes...
Mas redentoras,
e purificadoras!
E que mais... ó Virgem Maria?

-Ó muito mais!...Muito mais!...

Três crianças luzentes como sol,
puras como cristal,
alegres como andorinhas,
frescas como água viva
cariciando avezinhas,
quais velas acesas no mundo
em noite de breu sem arrebol!

Elas, de Ti se enamoraram,
Elas, em Jesus se encalharam,
Elas , pelos pecadores, se deram,
Elas, vítimas do amor, morreram
entre fachos de amor profundo.
Só queriam salvar o mundo!

Os montes por lá ficando
sem cantares o gado amanhando,
as memórias perpectuando
os gritos alegres do "agarrando",
as merendas aos gados dando,
a flauta nos ecos flutuando,
os terços breves soando,
os gritos alegres cantando
pediam a Vossa descida à terra
onde o ódio e o frágil aferra!

Três flores chegaram ao jardim celeste,
Os sinos ficaram louvando quanto fizeste
Pela glória AO CÈU ERGUIDA.

Tua obra, ó Mãe querida,
seja por nós agradecida
na terra e santa morada.

Lúcia, Jacinta, Francisco...
dai-nos do vosso quinhão,
Tornai puro todo o coração
que conhece vossa fiel doação
e enaltece nossa vocação.
Amém.


Maria do Rosário Guerra

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

OUTONO REPARADOR



O vento uiva e brama...
Faz revolto o rio,
Põe as folhas em rodopio.
As nuvens sem eira nem beira
galopam sem freio, em exaustão.
O quente, afaga o crispado frio...
a querer afogar o Verão.

Esperando o São Martinho
para vender o bom vinho
e terminar sua feira..
o Estio aguarda as colheitas,
esquece suas maleitas
no tempo inda quentinho.

Os dias colhem a bravura
de quantos fanam a dura
dos trabalhos que perduram
dos dias a "longo prazo".
Visível, a velha estação.
entre folhagem agridoce,
parece,por ora, enfurecida
com os muitos dissabores.
É que, a mãe natureza,
perdida dos seus amores
por causa de desamores,
deixou, ao tempo precoce,
terra queimada,enxofrada,
jazida de cinzas impudores
cerrando a áurea beleza
entre lutos arvoredos
dentre escuros medos.

E o Outono adverte
neste tom zangado:
que é preciso renovar
os ocos corações ,
massificá-los no amor,
que trará nova vida,
que prepara a terra, quase inerte,
com novas criaturas...

Espalhando as sementes
vivas e prementes:
da bondade, amizade,
do belo e fraternidade!


E Deus fala por Suas humildes criaturas,
indefesas, silenciosas, respirando canduras
numa doação de misturas
multicores e de " stop" odores...
Que só Amam ...
Que só Amam...
Que só Amam...

Maria do Rosário Guerra

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A MORTE NÃO É NADA






A Morte não é Nada

A morte não é nada.
Eu somente passei para
o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vós sois vós.
O que eu era para vós,
Eu continuarei sendo.

Dai-me o nome que sempre me deram,
Falem comigo como sempre fizeram.

Vós continuais vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.


Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de vossos pensamentos,
Agora que estou apenas fora de vossas vistas?

Eu não estou longe,
Apenas estou do outro lado do Caminho...

Vós, que aí ficais, segui em frente,
A vida continua,

linda e bela como sempre foi.


“Santo Agostinho”

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

33 OS MINEIROS SOTERRADOS

OS INSTANTES DA VIDA

33 os mineiros soterrados,
33 as almas sofridas,
33 os corpos agastados,
33 as vidas choradas,
33 as famílias aos ais,
33 os benditos do Senhor,
33 as saudades inconsoláveis,
33 os desejos viáveis,
33 os corações ansiosos,
33 horrores de penar,
33 em noites perniciosas,
33 as dúvidas fatais,
33 os homens a rezar,
33 corpos em perigo vital,
33 acasos soluçantes
33 orações suplicantes
33 tristezas sem ódio
33 sóis que a luz irradia
33 heróis. noite e dia,
33 servos em fraternidade,
33 dias no duro do mês,
33 instantes de cada vez,
33 estrelas no escuro,
33 luzes fulcrando duro,
33 canções que doem,
33 rotinas que moem,
33 sonhos de vida,
33 amores em segredo,
33 olhares de medo,
33 instantes de esperança,
33 faróis em liderança,
33 almas de gente,
33 astros a clarear,
33 rostos que riem,
33 penas em tom clemente,
33 rostos de meigo olhar,
33 almas movendo o mundo,
33 cristãos de ardor profundo,
33 servos com Deus a seu lado,
33 famílias fitando os céus,
33x3 louvando a Deus,
em irmandade consumada,
em oração redobrada,
33 momentos de orada
em orações à porfia
ao coração bom de Maria!


de Maria do Rosário Guerra

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

HORA FINAL

Aí vem a noite...Sente-se crescer...
E um silêncio de estrelas aparece.
Quem é, quem é, meu Deus, que empalidece
e se cobre de cinzas no meu ser?

Alma que se desprende numa prece...
que suave e divino entardecer!
Como seria bom assim morrer...
morrer, como a paisagem desfalece.

Morrer, quase a sorrir, devagarinho.
Estar ainda no mundo pobrezinho
e já pairar, sonhando, além dos céus.

Morrer, cair nos braços da ternura;
Morrer, fugir, enfim, à morte escura,
sermos, enfim, na eterna paz de Deus!

de Teixeira de Pascoaes

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

BAILE REQUINTADO


BAILE REQUINTADO

Cobriu-se o céu de cinzento.
O baile PREVISTO começou.
Desajeitadas, aos encontrões,
as nuvens tecendo rasgões,
estrondavam seu tormento,
quais serpentes, em mil direcções.

Em amizade rancorosa,
fê-las o vento rodopiar,
a ponto das as pôr a chorar
lágrimas, em pedras mudadas.

Louvada a senda venturosa
que suas águas lançaram.
Com elas ,o fogo apagaram,
as ruas ficaram lavadas
a loucura quente, amainaram.

Senhor Deus, Te bendigo
esta hora certa de benção!
Tua presença de amigo,
p'lo fresco atroz e fustigo,
Te louvo, em toda a extensão.

A chave da Verdade, abriu céus.
O coração quietou no peito.
No infinito a graça infinda
fez rolar preces aos pés de Deus.
Sua presença... nunca finda
se o Inferno, tolhe filhos seus!


de Maria do Rosário Guerra

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

TERRA QUEIMADA




Subi ao alto do monte.
A natureza sufocava
no negro que esfumava
vapores da terra queimada
sob o résteo horizonte.
O sol, fusco, vermelhava.

Pranteavam os pinheiros,
carvalhos e castanheiros,
pelos rebentos roubados
à idade aureolada
de verdes telas pujantes
à mistura, perfumados.
Agora caídos no chão
sob nacos de carvão,
sentires arrepiantes,
mostravam a malvadez
de tacanha mesquinhez
de quem ama desamores.
.
Subi aos fúnebres montes!
Distúrbios espalhados,
giestas de véus finados,
oravam nas pedras fendidas.
Dentre traições, horrores...
anciãos sufragavam dores
com a secura das fontes...
as mil forças investidas
pela sorte de suas vidas!
.
Numa previsão mundial
mais de chorar que rir,
ao meu coração, em degredo,
só apetece enterrar o medo
entre as cinzas da saudade
dos montes, em soledade!

-
De Maria do Rosário Guerra

sábado, 14 de agosto de 2010

SANTA MÃE ASSUNTA


ASSUNTA
Ó Maria, lá no Céu vigilante
olha cá para baixo e vê:
O pecado abusivo...
A Graça inconstante....
Pecadores inconvertíveis...
Os mártires em silêncio...
Os santos irreconhecíveis,
...antes desprezados...
O rico podre e taxativo...
Os católicos oportunistas,
sem saber o que é amar...
Os com fome sem ter de comer...
Os ninguéns só a ver...
Os doentes sem curar...
por falta de irmanar!

Ó VIRGEM da ASSUNÇÃO
desce à terra do "NÃO"
e, pelo poder de JESUS,
faz que o SIM seja Assunção.
nestas almas
em exaustão do que perece,
em precisão
do que não morre,
antes enobrece!

Ó Senhora da Assunção,
traz à terra o perdão...
do pecado que fenece!
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Se Deus ouvir a tua prece
todo o passado extermina
e a paz é força que domina.
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Ó Maria levada aos Céus
sê clemente, sê piedosa...
Olha pelos filhos teus!

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De Maria do Rosário Guerra
 
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